terça-feira, 12 de agosto de 2014

Como cuidamos de nossos colegas


No poste anterior havia falado da imagem em homenagem ao dias dos Pais. Obviamente, aqueles que amam seus pais e que tiveram a benção de terem nascido em um berço que lhes nutriu amor, conhecimento, compaixão etc., e que souberam aproveitar o exemplo materno e paterno são definitivamente abençoados, pois tiverem desde a tenra infância o exemplo em casa, já aqueles que não tiveram esta benção tem um caminho longo a percorrer na construção destes valores.

O querer bem ao outro, a preocupação com o próximo é o tema central das religiões, ou seja, está no âmbito da verdadeira filosofia aplicada. Esta filosofia aplicada supre e aperfeiçoa os ensinamentos maternos e conduz ao entendimento mútuo. Os que evoluem na filosofia aplicada percebem e sentem o próximo como extensão de si mesmos e procuram transformar as sociedades para melhor.

A preocupação com o próximo evolui com as sociedades mais adiantadas e estas, por sua vez, evoluem também seus sistemas de transportes. A evolução busca a diminuição das iniqüidades, nos sistemas de transportes ocorre pela provisão da infraestruturas que permitam que todos sejam tratados de maneiras diferenciada mas que atinjam os mesmos objetivos.

Os passeios são uma medida da evolução, caminhar pela Champs Élyséss, na Broadway, nas Ramblas e Ruas Augustas etc. mostra o quão os países se importam com seus concidadãos. Respeitar os limites de todos os cidadãos e tratá-los como seres iguais provendo infraestruturas diferenciadas que acomode-os com conforto e segurança é, definitivamente, uma das medidas de quão evoluída está a sociedade naquele momento.

Enquanto não dermos um tratamento igualitário à todas as pessoas no sistemas de transportes, não poderemos almejar sermos chamados de evoluídos. A segregação e o privilégio de determinados meios de transportes sobre outros é uma forma de discriminação, ainda mais quando colocamos outras pessoas sobre risco de morte ou negamos-lhes o direito à locomoção em condições de igualdade com outros cidadãos. Nestes sistemas não há compaixão, não há a preocupação com o próximo, não há nada quase nada de bom nesses sistemas.

Por que devemos expor nossos concidadãos aos riscos ou fazer com que os mesmos circulem em sistemas inferiores a aqueles que possuem ou fazem uso de outro meio de transporte que demanda maior capital? Por que investimos e deixamos os governos investirem mais em um sistema de transporte que em outro, ainda mais quando se produz mais inequidades?

Para muitos, a resposta simplista, é que é assim mesmo, sempre foi, sempre será. Pena que eles ainda não foram educados e/ou não tiveram a oportunidade de conhecer outras sociedades. Para outros, não há problema em expor os outros aos riscos de morte, a mais baixa filosofia ocupa-lhes a mente e o egoísmo embota-os de maneira perversa.

A mudança é difícil, lenta e cansativa, mas há que ser feita. É imperativo para as sociedades que evoluem que a caminhada seja o meio de maior privilégio em um sistema de transporte.

Resumindo a inequidade em sistemas de transportes.



Principal entrada de uma universidade brasileria

domingo, 10 de agosto de 2014

O poder da imagem


Hoje, dias dos pais, meu amigo, ao abrir o e-mail institucional de uma universidade, se deparou com uma figura que não tem nada a ver com a instituição. Segundo meu amigo, ele não faz a mínima idéia do por que foram escolher essa figura e eu não faço idéia do porque ele me enviou.


 A Universidade dele, bem como as demais instituições de ensino públicas, aquelas que deveriam estar na vanguarda do pensamento e do exemplo, mostram-se ser as mais reacionárias e retrógradas quanto a questão da mobilidade.

Raríssimas exceções encontraremos nas universidades brasileiras um ambiente preparado para receber e acolher os estudantes e funcionários. Estamos na pré-história da mobilidade, do desenho universal, do privilégio do humano sobre a máquina. Via de regra, nessas instituições, dão a preferência ao carro, fazem grandes avenidas, deixam a velocidade livre (colocam umas plaquinhas mequetrefes de 30km/h), devotam amplos espaços aos estacionamentos, depois fazem umas calçadinhas chinfrins e nada, nada de infraestrutura cicloviária. Como esperar que nossa sociedade seja diferente?

Mas, no dia dos pais, colocam uma fotinha bonitinha e, é isso..... 

Esse amigo me contou que quando estavam fazendo o plano de circulação da tal universidade, foi indicado para participar do plano de mobilidade por ser conhecido pelo trabalho na área em questão. Alguns professores fizeram parte, bem como um técnico e uma discente. Começaram a fazer as reuniões para discutir e introduzir os conceitos sobre mobilidade, traffic calming, sistema cicloviário etc. Para surpresa do meu amigo, um engenheiro do setor de infraestrutura veio até ele e falou que não deveríam fazer essas reuniões e discutir alternativas, afinal a reitoria já havia comprado o plano de mobilidade e necessitavam apenas o OK ao “plano”. Conclusão, já que haviam decidido tudo e somente precisavam de um mané para validar, nunca mais meu amigo apareceu na tal comissão, ele nem sabe como terminou. Sabe que implantaram exatamente o que compraram. E que planinho maltrapilho, é só visitar a instituição.

Mudou a reitoria. Ele me contou que foi tentar interferir na construção das calçadas e da circulação, disse que falou com o arquiteto, com o reitor, com o vice.......

 As calçadas foram um episódio trágico, se não fosse cômico. Meu amigo disse que foi até a reitoria, lá pediram para que ele falasse com o arquiteto. Ele foi, encontrou-se com o arquiteto e perguntou qual teria sido o parâmetro utilizado para planejar estas calçadas...




Segundo meu amigo, a resposta do arquiteto foi: planejei de acordo com o manual, duas pessoas lado a lado, largura recomendada, ponto. No mesmo momento da resposta, meu amigo pediu que o arquiteto olhasse para a rua, nesse momento vinham uns 4 ou 5 alunos caminhando pelo meio da rua, ele argumentou:

 _Olha! Aluno anda em bando, as calçadas aqui deveriam ter no mínimo 4 metros, as pessoas gostam de caminhar lado a lado. Quando as aulas acabam todos saem juntos, as calçadas deveriam comportar essa tsunami de alunos.


 O “ arquiteto” olhou meu amigo como se ele fosse mais um daqueles professores loucos, insanos. Como assim calçadas de 4 metros (no mínimo)? Aproveitem e reparem na foto, ela é pós construção da calçada. Onde vocês acham que a calçada esta? Depois dos carros, lógico. Primeiro acomodar os carros, depois os alunos, certo?

Meu amigo me disse que ao fazerem as primeiras aulas do curso de eng. de transportes, ele pergunta aos alunos o que eles acham das calçadas da universidade, se são boas, ruins, adequadas, convenientes etc. As respostas invariavelmente são apáticas, afinal não poderia ser diferente. 

Após algumas aulas, alguns exemplos mostrados no exterior e em algumas raríssimas cidades brasileiras, após verem as boas práticas, o olhar dos discentes muda por completo. Todos os semestres o professor e os alunos saem da sala de aula e ficam ali na calçada, no laboratório ao ar livre, se divertindo em como não fazer, depois têem outras aulas práticas no centro da cidade, mas o que eles mais gostam mesmo, é do laboratório que a universidade gentilmente lhe deu (somente para as aulas de como não fazer). 

Meu amigo espera que um dia a universidade desmonte esse horror e refaça como deveriam ter feito.

Meu amigo reflete que a semente da mudança foi plantada, um dia frutificará, assim ele crê.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Devagar se chega rápido

Hoje, ao ver o Jornal O Estado de São Paulo, relembrei dois pontos da minha infância em São Paulo.  Adorávamos passear por entre as avenidas e parques - quando você é criança tudo parece diferente, maior do quo que realmente é.  A realidade de uma criança vai mudando conforme o conhecimento vai sendo adquirido.

A primeira foto que eu vi que me remeteu a minha infância foi o anúncio no jornal da “Solução Definitiva”.


Hoje, 20 de maio de 2014, morando em Mossoró –RN, vendo esta foto e escutando frequentemente o discurso de prefeitos, vereadores, técnicos de secretarias de urbanismo, transportes e comunidade em geral sobre a tal “Solução Definitiva” para se acabar com o problema dos estacionamentos nos centros das cidades, ou seja,  volto a minha infância por uma foto postada a 53 anos. O que me faz refletir, depois do anúncio, da construção, da operação e do fiasco paulistano, por que queremos repetir aqui e em alhures os mesmos erros cometido?

Não nos contentamos somente com a questão dos estacionamentos, somos todos progressistas e queremos circular de automóvel particular pela cidade, de preferência sem engarrafamentos, portanto, podemos diminuir as calçadas, extirpar parques, passar a motosserra, asfaltar tudo em nome do "progresso", da modernidade. Ora, não foi isso que foi feito há 43 anos em São Paulo, pelo então engenheiro Paulo Maluf para aliviar o “trânsito” quando da construção do Minhocão?

                                        Antes do Minhocão


                                     Depois do Minhocão


Deveríamos olhar com carinho o que os americanos, paulistas etc. fizeram em nome do progresso, da velocidade, do trânsito, da busca desenfreada pelo fluxo livre de passagem, talvez fizéssemos diferente. Não se justifica sacrificar os espaços urbanos em nome da mobilidade individual. Passadas algumas décadas hoje podemos ver que a velocidade média do trânsito nessas capitais é igual a velocidade das charretes há 150 anos. Fizemos muito para não sairmos do lugar, ou melhor, talvez devêssemos fazer menos daqui por diante, quem sabe se devagar não tivéssemos chegado mais rápido?

sexta-feira, 8 de novembro de 2013


As calçadas portuguesas
Quando nossos patrícios cá chegaram não encontraram uma só calçada, era tudo mato, bicho para tudo quanto é lado. Naquela época os proprietários estavam obrigados a limpar a frente de suas casas aos domingos para que as pessoas pudessem ir a igreja sem encontrar cobras, aranhas etc.
O costume de cuidar da calçada em frente ao lote ficou enraizado no conceito brasileiro, nossa legislação, com raríssimas exceções, confirmou a obrigatoriedade do proprietário da manutenção do passeio. Talvez este tenha sido nosso grande erro.
Imaginem se cada proprietário tivesse que zelar pelo belo e lindo asfalto na frente de sua casa? Como será que ficaria o pavimento? Fulano mandou asfaltar hoje, sicrano viajou e nunca mandou asfaltar, beltrano há anos não manda recapear. Conclusão, se o asfalto tivesse a mesma lógica de construção e manutenção de nossas calçadas, teríamos ruas iguais ou em piores condições que as nossas calçadas, visto que o poder destrutivo de carros e caminhões no pavimento é infinitamente maior que a nossa massa corporal.
O brasileiro, ao contrário do português, não conseguiu dar o salto de qualidade na mobilidade urbana no principal meio de transporte: a caminhada.
Nossa história mostra que no começo tentamos copiar as calçadas portuguesa, basta olhar o calçadão de Copacabana, maravilhoso por sinal. Mas, as calçadas portuguesas, ah!!. Com certeza são maravilhosas.



As calçadas portuguesas literalmente invadem os espaços destinado ao deus carro e seus tentáculos permitem que os seres humanos desfrutem lugares maravilhosos, como a Rua Augusta em Lisboa, fechado para carro e aberta para a vida.



Em vários pontos de Lisboa as calçadas continuam soberanas e não se curvam aos carros.

Em frente as maravilhosas igrejas portuguesas, um traffic calming para proteção e deleite dos fiéis admiradores da cidade humana.

As vezes nem é preciso reformar as calçadas, basta limitar o acesso dos veículos motores aos residentes.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O direito a cidadania
O problema inicial é que nestes 500 anos de Brasil nenhuma cidade brasileira tem calçada. Se eu estiver errado, por favor, apontem a cidade que tem para que eu possa ir até lá e ver com esses olhos, que até agora, nunca viram.
Algumas pessoas podem andar por Copacabana, Av. Paulista, Centros de cidades como Curitiba, Porto Alegre etc. ou mesmo ao redor de algum desse shoppings centers. Podem encontrar algum “ projeto de calçada”, visto que estes foram feitos exclusivamente para uma situação especial, seja turismo, comércio ou um surto urbanístico passageiro, mas no geral, temos uma verdadeira calamidade pública chamada calçada.
Há alguns dias estava voltando da universidade e me deparei com três moças que tentavam se deslocar pela cidade, duas das moças se revezavam em empurrar uma cadeira de rodas.
Parei a bicicleta e me ofereci para empurrar a cadeira de rodas pois a "calçada" de uma das principais avenidas de Mossoró era de areia, o que exigia das meninas um esforço redobrado para empurrá-la.
Gentilmente as meninas recusaram minha oferta. Pude notar um ar de incredulidade delas quando ofereci ajuda, sei lá o que elas pensaram, talvez fosse raro alguém parar e perguntar se elas precisam de ajuda, mais raro ainda seria escutar alguém perguntar sobre como, quando e onde elas costumavam ir empurrando aquela cadeira, se era difícil, o que elas achavam etc.
Me disseram que estavam acostumadas a empurrar aquela cadeira naquelas condições de piso e que não se importavam, que era assim mesmo, como se Deus quisesse que fosse assim. Como se aquela prisão causada pela falta de mobilidade fosse uma sina, uma dado divino lançado aos seres ao acaso. Elas jamais imaginaram que teriam e têm direito a uma calçada digna. Mas a quem recorrer?
Empurrar cadeira de rodas em areia fofa, barro, piso esburacado não é nada fácil. Se não é fácil para quem empurrar, imagine para quem esta sentado, preso aquela condição.
Poderíamos culpar os políticos, que não fazem nada etc. etc. etc., de fato, esta seria uma culpa bem atribuída, mas!!!! , não é tão fácil simples assim, nossa cidadania parece esquecer ou não se lembrar que fazemos e vivemos em comunidade. Esquecemos que compartilhamos espaços, que devemos zelar pelo próximo. Até podemos ter calçadas, o problema é o que fazemos com elas.
Somos que como insetos, voando pelos passeios.


domingo, 25 de agosto de 2013

Carro faz mal à saúde - Editorial da Gazeta do Povo

Relatórios da OMS mostram que bons programas de mobilidade podem reduzir mortalidade em até 30%. Nenhum remédio ou terapia para hipertensão ou diabete tem desempenho semelhante
Publicado em 25/08/2013   http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/conteudo.phtml?tl=1&id=1402612&tit=Carro-faz-mal-a-saude
O trânsito se tornou um problema de saúde pública. E a recíproca é verdadeira. Por mais truncada que pareça a afirmação, tudo indica que chegou a hora de colocar na mesa os benefícios que os transportes públicos trazem ao bem-estar da população. Não se está falando apenas de ar menos poluído e menos barulho, mas de redução drástica dos índices de hipertensão, obesidade e diabete – que, ao lado dos distúrbios psiquiátricos, são as epidemias do século 21.
A sinalização de que uma coisa tem a ver com outra vem de uma fonte altamente confiável – relatórios da Organização Mundial de Saúde (OMS) recentemente divulgados. E são precisamente 300 documentos, todos ocupados de mostrar a relação íntima entre programas de mobilidade eficientes e vida saudável. Se os indicativos forem levados a sério, como se espera, tudo indica que os gestores urbanos terão mais um bom motivo para aumentar a rede de ciclovias, criar canaletas e arrumar dinheiro para fundar metrôs. A economia para o sistema de saúde seria brutal.
Não se trata de demagogia. São números tinindo de bons. A dizer. Um dos relatórios afirma em alto e bom som que em Copenhague, na Dinamarca, 30% dos usuários de bicicleta têm saúde acima da média. O detalhamento é primoroso. O número que gerou, nem se diga. De acordo com tecnocratas do ramo, são raros os remédios ou terapias capazes de alcançar índices dessa monta. E, caso algum descrente já tenha na ponta da língua que na Dinamarca qualquer um melhora os batimentos cardíacos, um alerta: em outras cidades do mundo, estudos com metodologia semelhante ostentam os mesmos resultados.
As variantes que fecham essa conta são simples demais. E esse pode ser o problema. Os dados da ONU vilipendiam políticas de saúde gastadeiras. E as políticas que se rendem ao mais poderoso dos lobbies, o que vem da indústria farmacêutica. Podem não agradar, afinal são baratas e dependem de práticas de prevenção, assim como de investimentos em mobilidade.
As afirmações chegam a ser ofensivas, de tão óbvias. Quem utiliza ônibus, por exemplo, caminha de 8 a 25 minutos, cumprindo na ida ao trabalho ou à escola o tempo médio de exercícios recomendado pelos médicos. Os ganhos ao sistema cardiovascular encontram ecos na literatura especializada, de modo que não se fala mais nisso. Tomar o coletivo, a lotação, a jardineira é um santo remédio.
Se não for argumento o bastante, que se anote o dado mais estarrecedor fornecido pela organização – 1,2 milhão de pessoas morrem todos os anos em acidentes de trânsito. Tinha de ser um dado estampado nos outdoors, para não deixar esquecer a tragédia bélica em que nos metemos desde que automóvel virou cacho de banana.
Se as pesquisas não deixam dúvidas, resta saber quando e como os setores de mobilidade e os de saúde vão sentar para conversar. Difícil. O Brasil, em particular, tropeça quando o assunto são as trans e multidisciplinaridades. “Não há Cristo”, como diziam os antigos. Vide a dificuldade geral da nação em fazer os observatórios de trânsito – aquele documento unificado que permitiria saber quantas vítimas de acidentes de trânsito morrem nos hospitais. Do jeito que está, ou morre no asfalto ou não é vítima de automóvel. Sem esse acompanhamento de causa e consequência, as estatísticas de que dispomos continuam furadas.
Mais. A partir do momento em que trânsito for declarado assunto de saúde pública, mais e mais os profissionais do jaleco branco vão se envolver no assunto e orientar sua clientela. Sabe-se a demora geral da nação em fazer uma legítima sociologia da saúde. Não entendemos o quanto as unidades e hospitais definem as relações sociais, a convivência, a organização da cidade. Uma pena – nossa ignorância em saúde funciona como prova de que não estamos entendendo nada.
Atualmente moro em Mossoró, RN. Uma das coisas que mais me chamou a atenção com relação ao trânsito em Mossoró foram os acidentes. Que me lembre, havia presenciado 3 acidentes em toda a minha vida, um em Taubaté (década de 80), outro em Curitiba (década de 90) e no Rio de Janeiro (década 00), tudo isto no lapso de tempo de 30 anos. Meu primeiro semestre em Mossoró vi 3, todos na minha frente, juro que queria ter filmado. Ainda pretendo andar com uma filmadora ligada para poder filmar mais acidentes. Semana passada estamos filmando uma avenida para efetuar contagem de tráfego para disciplina de eng. de transportes e os alunos filmaram um acidente envolvendo uma motocicleta.
Até minha vinda para o Nordeste, motos não eram uma questão que eu me preocupava, inclusive tive uma Turuna (honda 125) na década de 80.
Já havia trabalhado no oriente e visto a realidade de países como Indonésia, Vietnã etc., aquela infinidade de motos, achava aquilo longe para a realidade brasileira.. Certa vez estive em um Shopping Center em Jakarta e fique paralisado quando vi que um andar do shopping era somente para o estacionamento de motos, todas de pequena cilindradas, Bizz, cinquentinhas etc.
Me mudo para Mossoró em 2009, me sinto mais para asiático do que americano. Já no primeiro semestre procurei levantar o número de motos na cidade. Pelos dados do Denatran as frotas de carro e moto se equivaliam, suspeitei que o denatran estivesse errado uma vez que não registra as motos cinquetinhas, portanto o numero de motos seria maior que o número de carros.
Em nossas contagens de tráfego temos encontrado uma paridade entre carros e motos, o que bate com os dados oficiais, porém cerca de 25% das motos em circulação na nossa cidade são motos que não foram emplacadas, que provavelmente sejam conduzidas por pessoas sem carteira.
Talvez haja uma relação direta entre este tipo de motos e acidentalidades. Conversando com a polícia estadual do RN, o oficial me relatou que muitos destes acidentes não registram Boletim de Ocorrência por temerem a ação da justiça, visto que muitos deles não tem carteira ou não possuem documentos do veículo –estarrecedor.
Dada estas condições, ou seja, falta de educação para o trânsito, falta de legitimidade,  mais uma engenharia de tráfego que prioriza mais  a fluidez do tráfego em detrimento da segurança, o resultado não poderia ser outro: ACIDENTES. Tem muito mais por trás dos acidentes, mas por hora bastam estas colocações para saber que continuaremos a matar muito mais pessoas no trânsito.
O trabalho de educação nas escolas de engenharia precisa avançar, os conceitos de segurança viária ainda engatinham em nossas cidades. Não temos técnicos treinados em número suficiente para ocupar os órgão de trânsito e transporte. Vamos sofre muito ainda.
Por hora, deixo esta mensagem do Ppotal da UOL do dia de hoje: Número de motos já é maior do que o de carros nos Estados do Norte e do Nordeste, a qual pode ser traduzida como: O número de mortos e sequelados será crescendo no Norte e Nordeste nos próximos anos.


Número de motos já é maior do que o de carros nos Estados do Norte e do Nordeste



Regiões mais pobres do país, Norte e Nordeste viram uma mudança do perfil de sua frota nos últimos anos e, hoje, já têm mais motos do que carros circulando nas ruas. Segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), em 2012 o número de motos nas duas regiões superou o dos carros, diferente do que aconteceu nas demais regiões do país.
No Nordeste, o número de motos e motonetas superou a marca de 5 milhões, contra 4,9 milhões de carros nas ruas. O salto do número de motos é recente –elas praticamente dobraram de quantidade em apenas cinco anos. Em 2008, eram 2,6 milhões de motos e 3,3 milhões de carros.
No Norte, a proporção é ainda maior: 1,6 milhão de motos contra 1,2 milhão de carros. A maior quantidade de motos na região, porém, é um fenômeno menos recente: desde 2008 isso ocorre. Para efeito de comparação, o Estado com maior frota --São Paulo-- tem uma moto para cada 3,1 carros circulando nas ruas. No país, essa média é de 2,1.


Explicação econômica
A explicação para a febre das motos nas duas regiões é econômica. O aumento real do valor do salário mínimo, as facilidades no crédito e até o Bolsa Família explicam a mudança de perfil da frota nas duas regiões mais pobres do país.
"A renda média da população pobre cresceu de forma significativa nos últimos anos, e cresce mais rápido que a das classes A e B", informou a economista Luciana Caetano, citando que as duas regiões são basicamente dominadas por pessoas das classes C, D e E, principais públicos das motos.
"Muitas vezes o proprietário consegue a receita para pagar a parcela com a própria movimentação que tem. É o substituto do cavalo, do jumento, da carroça", disse Caetano.

Acidentes crescem
Com as motos e suas facilidades, as duas regiões passaram a registrar mais mortes no trânsito.  O crescimento no número de óbitos fez o assunto entrar no topo da lista de problemas de saúde pública nas duas regiões, especialmente nas emergências do interior.
Segundo dados do Datasus, do Ministério da Saúde, a região que registrou maior aumento no número de mortes foi o Nordeste. Entre 2006 e 2011, o número absoluto de óbitos saltou de 2.125 mortes para 4.035. Ou seja, por dia, 11 nordestinos morrem por dia em acidentes.
Traduzindo em dados, o crescimento foi de 89%, 30 pontos percentuais a mais que a média nacional do mesmo período, que foi de 59%.
"O número de acidentes é extremamente preocupante. Sem dúvida é uma epidemia. Da quantidade de leitos usados pelo SUS [Sistema Único de Saúde], a grande maioria é para vítimas de acidentes de moto. É um gasto enorme", disse Eloy Yanes, coordenador do Comitê para Redução de Morbimortalidade no Trânsito de Alagoas.
Imprudência
Além de tirar vidas, os acidentes também causam prejuízos aos cofres públicos. Segundo a Sociedade Brasileira de Medicina do Tráfico, a cada morte, cinco pacientes por acidente de moto são internados em estado grave em um hospital.
Já segundo levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), cada paciente custa, em média, R$ 152 mil aos hospitais, sobrecarregando o serviço público de saúde, especialmente nos Estados pobres.
Para Yanes, muitos condutores não estão verdadeiramente aptos a dirigir motos na região. "O acidente de trânsito não é uma fatalidade, é algo perfeitamente evitável. Ou foi uma falta de boa condução, ou de cuidado, ou imprudência. Mesmo com Lei Seca, aqui temos muitos condutores bebendo e dirigindo", disse.