segunda-feira, 24 de outubro de 2011

II DESAFIO INTERMODAL DE MOSSORÓ/RN
22 DE SETEMBRO DE 2011

No dia 22 de setembro de 2010 - Dia Mundial Sem Carro, foi realizado o II Desafio Intermodal de Mossoró (DI). O Desafio Intermodal tem por objetivo comparar os diversos modos de transporte existentes na cidade de Mossoró em relação aos tempos de viagem, custos de viagem (passagem, combustível, estacionamento etc.) e a emissão de poluentes de cada modo de transporte.

A concentração dos competidores do II Desafio Intermodal, diferentemente do I Desafio ocorreu as 17:00 na Praça do Rotary Club, localizado entre as esquina das ruas João da Escóssia e Rua Antônio Viera de Sá no bairro de Nova Betânia. A razão de ser antecipado o horário do desafio é que havia a suspeita de que o pico ocorria meia hora mais cedo. O ponto de chegada escolhido para o II Desafio Intermodal foi o mesmo do ano passado, ou seja, o pátio da reitoria da Universidade Federal Rural do Semi-Árido – UFERSA, localizado na Av. Francisco Mota, 45 (figura 1). A distância média entre os pontos de início e de chegada é cerca de 6,0km. A largada ocorreu pontualmente as 18:00 horas.


Figura 1 – Mapa contendo legendas de ponto de Largada (A) e ponto de Chegada (B)

Estiveram presentes no II Desafio Intermodal 9 (nove) participantes divididos em: 1 (um) usuário de moto-táxi; 2 (dois) motociclista; 1 (um) ciclistas; 1 (um) uma motorista com carro pequeno; 1 (um) usuário de ônibus e 2 (dois) pedestres.

Dada a partida, exatamente as 17:30 horas, os participantes se deslocaram para seus respectivos modos de transporte. Os três primeiros participantes foram os que se utilizaram da motocicleta, sendo os dois primeiros com tempos de 12 minutos e 38 segundos e 15 minutos e 06 segundos, o terceiro foi o usuário do serviço de moto-táxi com 15 minutos e 39 segundos, diferentemente do ocorrido no ano passado, onde a primeira a chegar foi a passageira do moto-táxi. O quarto participante foi a motorista que dirigia o automóvel com o tempo de 16 minutos e 42 segundos, o quinto participante a chegar foi o usuários da bicicleta com 17 minutos e 30 segundos. A inversão da posição do ciclista com o carro em relação ao ano passado foi que neste ano não houve congestionamento na hora de pico. O tempo dos dois participantes que caminharam foi de 1 hora e 5 minutos, por fim a chegou a usuária do transporte público com o percurso 1 hora, 15 minutos e 39 segundos.

Diferentemente usuário do transporte público do ano passado que caminhou cerca de 2 quilômetros para pegar um ônibus no centro da cidades, este ano a usuária ficou no ponto próximo ao local de partida esperando pela condução, o que levou a um tempo superior a tempo dos participantes que optaram pela caminhada.

Os participantes que optaram com caminhar necessitaram de 70 minutos para cumprir o trajeto proposto.


Tabela 1 – Resultado do II Desafio Intermodal de Mossoró, RN

domingo, 14 de agosto de 2011

PUXADINHO DA DÉCADA

O que fazer quando não há área para se abrigar o veículo?

Ocupe a calçada com um puxadinho, tudo certo.

Errado, tudo errado.


CALÇADAS E CABELOS, QUANTO TRABALHO

Assim como as mulheres tentam alisar seus cabelos e evitar cachos mal formados através das famosas “chapinhas”, a sociedade brasileiras um dia, queira Deus, tentará “alisar” suas calçadas. O “alisamento” de nossas calçadas seria a uniformização das dimensões mínimas de largura, padronização de inclinações mínimas e máximas, aplicação de pavimentos ou revestimentos que propiciem a caminhada etc. Assim como os cabelos pós chapinha tendem a voltar a sua forma original, as calçadas para serem alisadas e não voltarem a forma original precisam de um novo pacto social.

Temos sidos educados e conscientizados para o trânsito motorizado, nos ensinam nas escolas o código de trânsito, aparelham-se municípios e estados com uma infraestrutura para financiamento, operação e fiscalização para que o trânsito motorizado possa fluir. Constroem-se ruas, vias, rodovias com larguras mínimas, inclinações máximas que garantam a segurança e fluidez do trânsito, gerenciam a vida útil do pavimento para que se possa recuperá-lo de maneira cada vez mais eficaz, fiscaliza-se o fluxo continuamente para que não haja interrupção, gastam-se recursos consideráveis para que o sistema viário motorizado esteja a disposição de quem deseja usá-lo. A chapinha no sistema viário para o trânsito de veículos motorizados é aplicada constantemente, propiciando um trafegar suave pelas curvas e retas das cidades e estradas.

Por outro lado, a chapinha aplicada nas calçadas brasileiras não tem sido eficaz. Não investimos na conscientização dos benefícios da caminhada, que são muitos e bons para o coração, para a amizade, para a paquera, para o comércio do bairro em que moramos etc. Não criamos padrões mínimos de largura, inclinação, tipo de pavimento, do que pode e, principalmente, do que não pode ficar sobre as calçadas, permitimos que lixeiras, orelhões, postes e todo tipo de obstáculos fiquem eternamente poluindo o ambiente em que transitamos. Estamos tão acostumados com os obstáculos nas calçadas que pouco nos importamos com eles, achamos que eles nasceram ali e não há por que removê-los. Temos sido incapazes de mostrar para a sociedade que o ambiente no qual se caminha deveria ser seguro, limpo e confiável. Estamos anestesiados pela mesmice, pela feiúra a pouca serventia de nossas calçadas, nos sujeitamos a andar pelos bordos das vias como se estas fossem nossas calçadas, nos colocamos em situação de risco como se fosse o normal, enquanto o normal deveria ser a preocupação com o nosso bem estar e de nossos concidadãos.

Pouco nos importamos conosco mesmos quando temos de caminhar. Nos sujeitamos a tropeçar em um buraco que nunca foi tampado, pulamos rampas construídas para que os carros acessem suas garagens, escorregamos em pedras assentadas inadequadamente escolhidas para servirem de pavimento, nos sujeitamos a todas sorte de mal trato e nem assim nos revoltamos, nem reclamamos.

O trabalho para alisar as calçadas vai ser difícil, a caminhada, longa, mas será melhor do que acabar careca.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Calçadas ou corrida de obstáculos

Tenho me interessado pela questão do pedestre de uma maneira muito particular, acho que estou envelhecendo e começando a sentir os efeitos dos anos no meu próprio corpo. Fico imaginando e olhando pessoas com 60, 70, 80 anos andando pelas cidades brasileiras e me imagino com essa idade e como eu gostaria de encontrar minhas futuras cidades, como seria meu deslocar entre minha casa e a padaria, onde compraria um jornal, tomaria um café expresso depois passearia para ver as pessoas. Minha imaginação poderia ser dita como egoísta, afinal estou pensando em uma cidade para mim, para minha velhice, mas a vida é agora, e é agora que pessoas idosas, mamães com carrinhos de bebês, pessoas com dificuldades de locomoção etc. necessitam se locomover.
Tanto eu quanto os que necessitam se deslocar usando as caçadas queremos um sistema de circulação que permita o deslocamento a pé, que permita que as mamães passeiem com seus bebês em seus carrinhos, que os cadeirantes possam se libertar das restrições de mobilidade, que as mulheres em seus saltos não tropecem nos degraus e buracos das caçadas etc.
Só que, ao passear por qualquer quadra, vejam bem, qualquer quadra, em qualquer cidade brasileira, percebo o quão longe estamos de ter um sistema viário projetado, construído e mantido adequadamente para as necessidades humanas. Não conheço nenhuma cidade que permita que uma mamãe de uma volta na quadra sem encontrar um obstáculo que a impeça de circular livremente, não conheço nenhuma calçada onde o cidadão “de bem” não tenha construído um degrau, uma rampa, para que seu carro acesse seu lote. Não conheço nenhuma quadra onde o pavimento da calçada seja uniforme, com declive adequado a caminha, simplesmente não conheço.
Mas, as vezes, algumas cidades apresentam lampejos de sanidade ao tratar a questão do pedestre. Mas infelizmente são somente lampejos. Estive na cidade de Currais Novos, RN onde, para minha surpresa, caminhei de maneira segura e confortavelmente em algumas de suas calçadas.
Ao sair da pousada e caminhar nas ruas ao redor da praça central, as calçadas não apresentavam degraus nem as inconvenientes “rampinhas” feitas para que os carros possam entrar nas garagens. Sempre gosto de observar como calçadas são feitas em ruas com declive, como na foto abaixo, rua com declive suave e um detalhe pouco comum como o plantio das árvores no leito carroçável.


Assim que sai do centro e fui caminhar para conhecer a cidade, voltei à realidade das cidades brasileiras, ou seja, o melhor lugar para caminhar é na rua, junto com os carros, porque na calçada somente para quem deseja fazer uma corrida de obstáculos

O interessante é que as duas ruas possuem declives, no primeiro caso a construção da calçada acompanha o leito carroçável, o que deixa a calçada livre de obstáculos, agradável ao caminhar. No segundo caso, os moradores resolveram deixar a frente de suas casas em nível, para isso construíram verdadeiras plataformas, o que torna o caminhar um fardo mesmo para os mais jovens.
A grande questão é: como resolver o problema das calçadas quando tudo já se encontra construído? Teriam os prefeitos coragem e força para reformar as calçadas e obrigar seus munícipes a adequar o passeio? Tome por exemplo as rampas construídas sobre as calçadas para que os carros acessem as garagens. Em uma obra de nivelamento das calçadas os proprietários teriam de promover uma mudança interna ao seu terreno, lembrando sempre que muitas dessas garagens são parte da sala, da cozinha, da área de estar etc. A adequação obrigaria, em muitos casos, a uma reconstrução na parte interna do lote, da casa, o que seria uma propaganda extremamente negativa ao prefeito, seria como se a prefeitura forçasse o dono da residência a não só reconstruir a calçada mas também o pavimento e o nível da sala, da cozinha etc. para que o carro pudesse entrar em casa.
Fazer com que o proprietário do lote adéqüe o padrão construtivo para dentro do lote não é simples, mas possível, vejam o que aconteceu bem no coração paulistano quando da reforma da Av. Paulista, alguns bancos, condomínios etc. tiveram de fazer ajustes temporários para que pessoas e carros pudessem acessar o interior dos edifícios. Não voltei para ver se o banco em questão resolveu para dentro do lote o acesso do cadeirante, como manda a legislação ou deixou aquela rampinha ilegal e ridícula na calçada.

Nossa vida, como seres caminhantes, não será fácil, principalmente quando nossa agilidade e capacidade de mobilidade for diminuindo a medida em que ganhos algumas primaveras. Não vejo solução somente através da imposição do gestor público para a simples reforma das calçadas, seria por demais complicado. Temos uma longa caminhada, mas acho que deveríamos começar a pensar em usar a faixa de estacionamento ao longo da calçada como uma possível solução para o incremento de espaço, livre de obstáculos, na reforma, construção e expansão das futuras calçadas.

sábado, 5 de março de 2011

Mobilidade urbana começa no berço

Ao longo dos anos venho mudando a maneira como me desloco nas cidades. Comecei caminhando, pedalando, usando ônibus, vans, carona e carro. Ao longo desse processo onde ora sou pedestre, ciclista, motorista e passageiro, percebi que minha atitude foi mudando enquanto ganhava experiência, ou envelhecia, como diriam algumas pessoas.

Modo geral, passei a ser mais cauteloso ao atravessar uma rua, ao utilizar a bicicleta e, principalmente, no carro venho diminuindo a velocidade dos trajetos dentro da cidade. Essa minha transformação foi consciente, uma vez que estou quase sempre com mais pessoas no carro e me preocupo com a segurança delas e de quem me rodeia.

Recentemente minha filha aprendeu o que significava as cores vermelho, amarelo e verde dos sinais de trânsito. Agora, sempre que nos aproximamos de uma interseção onde há um semáforo ouço: pode ir papai, pare papai, agora vai papai etc.

Ainda não havia percebido que no colégio dela havia um “programa” de educação para o trânsito (estou chamando de educação para o trânsito por não saber como o colégio nomeou). Sei que o processo educacional ao qual minha filha passou no colégio funcionou, pelo menos para os sinais dos semáforos e que isso vai ficar gravado na mente dela pelo resto de sua vida (Foto 1- Sinais de trânsito).

Foto 1 – Sinais de Trânsito

O “programa” de trânsito do colégio tem várias fases, cada uma de acordo com a idade e capacidade de assimilação dos infantes. Para as crianças do infantil I, II, III, a escola pede que os pais tragam os “veículos” (foto 2 - Triciclo) das crianças para que estes possam participar ativamente das atividades educativas.

Foto 2 – Triciclo

Para as crianças do Fundamental, I da terceira e quarta série, os professores orientam os alunos para que estes façam trabalhos de colagem, maquetes etc. que envolvam questões ligadas de segurança e sinais de trânsito.

Quem dera os colégios todos fizessem “programas” de educação para o trânsito como esse, que começassem na mais tenra infância e fosse contínuo a medida em que o desenvolvimento cognitivo fosse se desenvolvendo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Traffic Calming e o transporte público: como era, como é, e como será - pelo menos em Galinhos, RN

Imagine uma cidade em que não haja metrôs, trens, ônibus, microônibus, lotação, vans, kombis etc. Como se deslocariam as pessoas e as mercadorias dentro desta cidade? Seria possível um sistema de transporte diferente do que comumente estamos acostumados a pensar como um transporte público?
E se o transporte público da sua cidade em pleno século XXI fosse feito através de charretes puxadas jegues, cavalos? Sua cidade seria considerada fora de moda, antiquado, inadequado etc. ou considerada chic, moderna, descolada.?

Galinhos, no Rio Grande do Norte, apresenta uma forma de transporte diferente. A cidade é pequena e está localizada na península de Galinhos, seus 2.500 habitantes têm basicamente dois tipos de transporte, o barco e a charrete. O acesso à cidade se dá basicamente de duas maneiras, através de barcos que partem da cidade de Guamaré ou, para quem tem um bugue ou um veículo 4x4, através dos caminhos de areais das marés baixas e das dunas da região. Para quem não tem um bugue, o deslocamento ocorre a pé ou nas charretes, sempre puxadas pelos jumentos e cavalos. Nada diferente do que já ocorreu entre os séculos XVII e XX nas cidades ao redor do mundo.

Vista aérea de Galinhos


Enquanto que no final do século XIX as ruas de Nova Iorque exalavam aquele odor característico do acúmulo de resíduos provenientes da força motriz ruminante(jegues e cavalos), Galinhos mantém-se não somente limpa, mas livre dos odores. O segredo desse sucesso devesse ao fato de que os charreteiros carregam consigo um balde e recolhem os subprodutos desse maravilhoso tipo de transporte. Transporte de pessoas

Transporte de mercadorias

Outro fato chama a atenção em Galinhos, é o sistema de Traffic Calming da cidade. Reparem vocês na quantidade de quebra-molas na avenida principal. Certamente um contraste com as principais vias da esmagadora maioria das cidades ao redor do planeta.
Traffic calming para veículos movidos (e guiados) por tração animal